Palavra de vida › 05/07/2020

Palavra de Vida do Mês de Julho de 2020

Movimento Pólen

Palavra de Vida do Mês de Julho de 2020

 

Na festa dos dois Apóstolos desta cidade, gostaria de partilhar convosco duas “palavras-chaves”: Unidade e Profecia.

 

Esta homilia do Papa Francisco, sobre a unidade e a profecia, no dia 29 de junho, tomamos como a nossa Palavra de Vida do mês de julho de 2020.

Unidade: Celebramos conjuntamente duas figuras muito diferentes: Pedro era um pescador que passava os dias entre os remos e as redes; Paulo, um fariseu culto, que ensinava nas sinagogas. Quando saíram em missão, Pedro dirigiu-se aos judeus; Paulo aos pagãos. E, quando se cruzaram os seus caminhos, discutiram animadamente, como Paulo não tem vergonha de contar numa carta (cf. Gal 2, 11-14). Enfim eram pessoas muito diferentes, mas sentiam-se irmãos, como numa mesma família unida onde muitas vezes se discute sem deixar de se amarem. Contudo a familiaridade, que os unia, não provinha de inclinações naturais, mas do Senhor. Ele não nos mandou agradar, mas amar. É Ele que nos une, sem nos uniformizar. Une-nos nas nossas diferenças.

A primeira leitura de hoje leva-nos à fonte desta unidade. Narra que a Igreja, pouco tempo depois de ter nascido, passava por uma fase crítica: Herodes não lhe dava paz, a perseguição era violenta, o apóstolo Tiago fora morto; e agora acabou preso o próprio Pedro. A comunidade parece decapitada; cada qual teme pela própria vida. Contudo, neste momento trágico, ninguém pensa em salvar a própria pele, ninguém abandona os outros, mas todos rezaram juntos. Da oração, tiraram coragem; da oração, vem uma unidade mais forte do que qualquer ameaça. Diz o texto que, “Enquanto Pedro estava encerrado na prisão, a Igreja orava a Deus, instantemente, por eles” (cf. At 12,5). A unidade é o princípio que se ativa com a oração, porque a oração permite que o Espírito Santo intervir, abrir à esperança, encurtar as distâncias, manter-nos juntos nas dificuldades.

Notemos outra coisa: naqueles momentos juntos dramáticos, ninguém se lamenta do mal, das perseguições, de Herodes. Ninguém insulta Herodes; e nós estamos tão habituados a insultar os responsáveis. É inútil, e até chato, que cristãos percam tempo s lamentar-se do mundo, da sociedade, daquilo que está errado. As lamentações não mudam nada. Lembremo-nos de que as lamentações são a segunda porta que fechamos para ao Espírito Santo, como vos disse no dia de Pentecostes: a primeira é o narcisismo, a segunda é o desânimo, a terceira é o pessimismo. O narcisismo leva-te a parar diante do espelho, a olhar continuamente para ti; o desânimo, às lamentações; o pessimismo, ao enigmático, à escuridão. Estas três atitudes fecham a porta para ao Espírito Santo. Aqueles cristãos não culpavam, mas rezavam. Naquela comunidade, ninguém dizia: “Se Pedro, tivesse sido mais cauteloso, não estaríamos nessa situação”. Ninguém o dizia. Humanamente havia motivos para criticar, murmuram contra ele, mas rezavam por ele. Não falavam por trás, mas falavam com Deus.

Hoje, podemos nos interrogar-nos: “Guardamos a nossa unidade com a oração: a nossa unidade da Igreja? Rezemos uns pelos outros?” Que aconteceria se rezasse mais murmurasse menos, deixando a língua mais tranquila? Aquilo que aconteceu a Pedro na prisão: como então, muitas portas que separam, abrir-se-iam; muitas algemas que imobilizam, cairiam. E nós ficaríamos maravilhados, como sucedeu àquela serva que, ao perceber que Pedro está à porta, nem pensa em abrir mas volta para a sala a correr, estupefata pela alegria de ter ouvido a voz de Pedro (cf. At 12, 10-17). Peçamos a graça de saber rezar uns pelos outros. São Paulo exorta os cristãos a rezar por quem governa (cf. 1Tm 2, 1-3). “Mas este governante é…”, e os adjetivos são muitos. Não os digo, porque este não é o momento de nem o lugar para repetir os adjetivos que ouvimos contra os governantes. Deixemos que Deus os julgue! Nós rezemos pelos governantes. Rezemos… Precisam da nossa oração. É uma tarefa que o Senhor nos confia. Temo-la cumprido? Ou limitamo-nos a falar, a insultar? Quando rezamos, Deus espera que nos lembremos que também que de quem não pensa como nós, de quem nos bateu a porta na cara, das pessoas a quem nos custa a perdoar. Só a oração desata as algemas, como a Pedro; só a oração deixa livre o caminho da unidade.

Pe. Pedro A. Martendal

Diretor Espiritual

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